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19 abril 2013

O que é amar a Deus?


Na resposta que Jesus deu aos seus argüidores sobre qual o maior mandamento ele disse, "Amai a Deus..." (....). 

Quero propor aqui uma discussão sincera e aberta sobre o que seria amar a Deus, pois, no decorrer de nossas vidas somos confrontados com esse mandamento. Seria no mínimo coerente se pudéssemos ter uma definição que nos desse o respaldo bíblico e prático de tal mandamento. 

Olhando para a História da Igreja veremos que esse mandamento tomou formas diferentes, como por exemplo; por amor a Deus os cristãos padeceram no Coliseu Romano, também por amor a Deus muitos irmãos preferiram viver em monastérios, mas também por amor a Deus os Cristão do século 12 realizaram as Cruzadas, as quais foram responsáveis pelo assassinato de milhares de árabes. Da mesma forma, extremistas mulçumanos, por amor a seu deus (alá), provocam o medo e o terror no Oriente Médio de nossos dias. 

Falar sobre o amor de Deus se torna bem desafiador quando somos confrontados com as atitudes daqueles que, em nome desse amor, praticam tudo que vai contra a essência do criador do amor. A interpretação do amor de Deus pode se tornar exatamente o oposto do que esse amor é, trazendo assim confusão sobre o caráter de quem o criou. 

Jesus em seu ministério sempre surpreendeu as pessoas com seus atos de amor a Deus. Ele deixou bem claro que a expressão do seu amor a Deus era algo que foi gerado em obediência ao Pai. Jesus não era compreendido quando falava de amor a Deus, pois ele questionava os atos que eram praticados em nome desse amor. Atos esses inclusive que faziam parte da Lei. Não creio que Jesus questionava a Lei, mas ele questionava a forma que essa lei era interpretada, vivida e aplicada. 

O apostolo Paulo diz que no final o que fica é a fé a esperança e o amor, e desses três o amor é o maior. Segue a pergunta; como o amor pode ser maior do que a fé? A resposta é uma questão de prioridade de criação. Deus teve que primeiro amar o homem para poder criá-lo. A fé vem depois como uma forma do homem perceber a existência de Deus. Por isso Paulo coloca que o amor é maior do que a fé. O amor foi criado primeiro, pois foi através desse amor que Deus amou o mundo. 

Quero colocar três possibilidades em relação ao Amor de Deus: 

1. Perceber o amor (Colossenses 1:16) Todas as vezes que olhamos sinceramente para o criador podemos perceber que ele ama suas criação. Pois ele deu ao homem tudo para que o homem fosse abençoado na sua existência. Seja o próprio dom da vida, a possibilidade de andarmos em comunidade, seja os recursos naturais e tudo quanto existe para benefício do homem. 

2. Experimentar o amor de Deus As pessoas podem de uma forma ou outra experimentar esse amor de uma forma mais intensa. Isso pode acontecer através de uma experiência religiosa. Isso mesmo. Pessoas podem experimentar o amor de Deus através de outros que liberam porções desse amor no seu dia-a-dia. Isso possibilita que o amor do Pai possa ser literalmente experimentado, da mesma forma que alguém experimenta um doce ou uma fruta bem saborosa. 

3. Vivenciar o Amor de Deus Aqui encontramos a forma mais intensa de perceber e experimentar o amor de Deus, pois aqui a percepção e a experiência se confundem com a vida de quem está vivenciando tal amor. Foi nesse contexto que Jesus expressou e recebeu o amor de Deus. Sua vida fazia parte desse amor e o amor de Deus fazia parte de sua vida. 

Quando os homens tentam expressar o amor de Deus, sem tê-lo vivenciado, ai acontece as catástrofes religiosas. Quando alguém fica apenas na percepção, essa pessoa fica como que do lado de fora de um aquário tentando entender como é respirar debaixo d água. Quando alguém fica apenas com a experiência isso pode levar essa pessoa a ter outras experiências e ai a revelação fica misturada pelo empirismo moderno. Mas quando alguém ousa em vivenciar, ou ainda melhor, misturar sua vida com a essência de Deus, que é o Amor, ai sim, teremos alguém que vai conhecer a Deus e amá-lo mais do que as religiões, mais do que as suas ambições, mais do que as possibilidades de realização em nome de Deus. 

Amar a Deus é deixar que Ele mesmo viva através de nossas vidas. Ë permitir a essência do criador ser manifesta em nossos membros, nossa mente, nosso espírito. Tal vivencia não pode se dar no âmbito do saber. Vou dar mais um exemplo; quando alguém come uma maça, essa pessoal não precisa necessariamente saber como se da todo o processo de digestão para ter certeza que está vivenciando o fato. Da mesma forma, muitos precisam apenas vivenciar o amor de Deus sem querer entender totalmente como se dá tal acontecimento. Muitos ficam como que em crise se perguntando; "Deus, eu não mereço", "Deus quero entender tal coisa", "Deus, se o Senhor não me revelar tal coisa eu não poderei continuar". Essa postura vem apenas mostrar que a vivencia do Amor de Deus vai alem do nosso entendimento. Isso deveria gerar gratidão na vida de um adorador. Gratidão por tão grande amor, que vai além do entendimento humano. 

Se algum dia alguém te perguntar, "O que é o Amor de Deus?", será que você teria a coragem de dizer "O Amor de Deus é a minha vida". um Irmão em Cristo chamado Richard Wummburd, ficou preso por treze anos por causa do seu amor a Deus, certa vez um dos seus companheiros de cela perguntou-lhe, "Como é Jesus?", ele respondeu, "Jesus...Jesus é assim, igual a mim". 

Que o Senhor possa nos dar a graça de vivenciar todo seu amor. Oro para que você não ame a religião evangélica mais do que a Deus. Um abraço. 


Até a próxima

Gerson Freire

28 março 2013

Os momentos mais sublimes de Jesus – seus últimos


Começou na noite de quinta-feira, no mês judeu de Nisan (Abril), por volta do ano 30 d.C. Um dos discípulos de Jesus, Judas Iscariotes, planejou traí-lo por trinta moedas de prata. O sinal de morte: um beijo. No jardim do Getsêmani, pouco distante de Jerusalém, Jesus sabia exatamente o que estava vindo e começou a orar. Seu coração quase não podia suportar tamanho peso: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte” (Mateus 26.38). Então, a multidão apareceu com espadas e porretes. Judas beijou Jesus, e o prenderam. Os discípulos de Jesus se acovardaram e deixaram-no sozinho.

A Paixão de Jesus frente ao Sinédrio

Jesus foi levado ao Sinédrio, que estava pronto para colocá-lo em julgamento no meio da noite. A acusação decisiva foi blasfêmia:

O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito? E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu. E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas? Vós ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o consideraram culpado de morte. (Marcos 14.61-64)

“Então cuspiram-lhe no rosto e lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam, a dizer-lhe: Profetiza, Cristo, quem é o que te bateu?. E os servidores davam-lhe bofetadas.” (Mateus 26.67-68; Marcos 14.65).

Enquanto isto, próximo à corte, seu discípulo Pedro que havia dito: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei” (Marcos 14.31) o negou três vezes: “Não conheço tal homem” (Mateus 26.72). Quando Jesus olhou para ele, Pedro deixou o local e chorou amargamente.

A Paixão de Jesus frente a Pilatos e Herodes

Então eles entregaram Jesus ao governador romano, Pilatos, ainda no começo da sexta-feira. Depois do interrogatório, Pilatos o enviou ao Rei Herodes, que estava na cidade e esperou ver Jesus fazer um milagre. Herodes e seus soldados trataram Jesus com desrespeito, colocaram-lhe uma veste real para ultrajá-lo, e o enviaram de volta para Pilatos.

De acordo com um estranho costume, Pilatos ofereceu libertar um prisioneiro e dar à multidão a escolha entre Jesus e Barrabás, um notório terrorista que “tinha num motim cometido uma morte” (Marcos 15.7). A multidão escolheu Barrabás e gritou para que Jesus fosse crucificado. Eles fizeram-no ser uma ameaça ao império, que reivindicava ser um rei. “Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César” (João 19.12). Pilatos estava na parede. Deveria matar um homem inocente ou arriscar a aparência de sedição?

Pilatos tomou sua decisão. Lavou suas mãos, numa tentativa inútil de remover sua culpa por ter libertado Barrabás e entregue Jesus aos soldados. “Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso.”, ele disse (Mateus 27.24). O aconteceu nas horas seguintes está além de descrição ou ilustração. Os meros fatos não contam a história inteira. Porém, eles são cruciais.

Jesus foi oprimido. A palavra não é capaz de transmitir a realidade da tortura.

Açoitamento era uma preliminar legal a toda execução romana, e somente mulheres, senadores e soldados (exceto em caso de deserção) eram excluídos. O instrumento usual era um chicote curto (flagrum ou flagellum), de diversas formas, apenas uma ou muitas tiras de couro, de tamanhos diferentes, com esferas de metal ou garras feitas com ossos bovinos amarrados nelas. Para o castigo, o homem tinha suas roupas rasgadas e suas mãos eram amarradas. As costas, quadris e pernas eram chicoteados por dois soldados ou um, em diversas posições. Não se sabe se o número de açoites foi limitado a 39, de acordo com a lei judaica[1].

Depois da tortura, o batalhão inteiro de soldados se reuniu ao redor deste homem fraco e sangrando, e colocaram uma capa escarlate nele. Pressionado pelo peso da túnica sobre seus ombros dilacerados, Jesus recebeu uma cana em sua mão direita e ajoelharam-se diante dele, zombando “Salve, Rei dos Judeus”. Os soldados bateram nele com suas próprias mãos. Eles cuspiram nele. Fizeram uma coroa cheia de espinhos – provavelmente não aqueles que vemos em rosas, mas um tipo mais longo, parecido com lâminas. Então, eles não apenas colocaram a coroa, mas bateram em sua cabeça – cravando os espinhos em seu crânio (Marcos 15.17-19).

A Paixão de Jesus na Cruz

Eles o levaram para uma montanha chamada Gólgota (latim: Calvário), fora da cidade, e o pregaram numa cruz. Martin Hengel escreveu um estudo histórico-científico sobre a crucificação no mundo antigo. Ele cita Lucius Seneca, em meados do primeiro século, que escreveu sobre uma variedade de crucificações: “Eu vejo cruzes, não apenas de um tipo, mas feitas de diferentes maneiras; algumas têm suas vítimas de ponta-cabeça, algumas empalam as suas partes íntimas; outros têm seus braços quebrados no madeiro”[2]. Hengel cita outra fonte antiga (Pseudo-Manetho) sobre o método de crucificação: “Punidos com os braços estendidos, eles viam a estaca como seu destino; eles eram fixados e pregados no mais doloroso tormento, uma comida maligna para aves de rapina e cães”[3]. Em suma, Hengel diz que “era uma sensação terrivelmente ofensiva, ‘obscena’ no sentido original da palavra”[4]. E entre os judeus, a maldição divina era adicionada ao escândalo humano, porque na lei judaica, o Torá, diz-se: “porquanto o pendurado [num madeiro] é maldito de Deus” (Deuteronômio 21.23).

“E era a hora terceira, e o crucificaram” (Marcos 15.25). Isto quer dizer 9 horas da manhã. Pilatos ordenou uma placa sobre sua cabeça: “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus” (João 19.19). Transeuntes o ridicularizavam: “Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz” (Mateus 27.40). Os soldados o humilharam. Os príncipes dos sacerdotes com os escribas e anciãos uniram-se ao coro: “Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e crê-lo-emos” (Mateus 27.42). E mesmo os criminosos que estavam crucificados com ele, insultavam-no.

Jesus bebeu o cálice de sofrimentos variados, e rejeitou qualquer anestésico contra a dor. “Deram-lhe a beber vinagre misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber” (Mateus 27.34). Por volta do meio-dia, próximo ao fim, ele gritou “Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27.46). Surpreendentemente, estas aparentes palavras sem esperança são as exatas palavras no início do Salmo 22, do Antigo Testamento, que então termina como um Salmo de grande esperança. O salmista, que parece começar em desespero, finalmente exulta em Deus e diz: “Então declararei o teu nome aos meus irmãos; louvar-te-ei no meio da congregação” (v.22). A igreja primitiva não perdeu a conexão entre as palavras agonizantes de Jesus e a esperança final deste salmo. Eles aplicaram estas próprias palavras de triunfo à Cristo, depois de sua ressurreição (Hebreus 2.12). Sim, havia um tipo de abandono da parte de Deus na cruz, mas o abandono não foi total.

Depois de três horas na cruz, Jesus morreu. Seus discípulos viram um espantoso e transformador momento de diferentes ângulos e os sumarizaram de diferentes formas. Mateus diz: “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito” (Mateus 27.50). João escreve: “E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (João 19.30). Lucas, que não estava lá, mas que pôde ter conseguido esta informação com a mãe de Jesus, escreve: “E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou” (Lucas 23.46).

Para ter certeza de que ele estava morto, um soldado romano “lhe furou o lado com uma lança” (João 19.34). Ele foi retirado da cruz por sua família e amigos, e colocado em um túmulo comprado, numa caverna. Pilatos deu ordem para que o túmulo fosse selado e guardado. Uma grande pedra foi usada para fechar a entrada da tumba e soldados ficaram de guarda. Lá, o corpo repousou até o começo da manhã de domingo.


por John Piper Traduzido por Josaías Jr. | iPródigo

Notas
[1] – William D. Edwards, et. al., “On the Physical Death of Jesus”, The Journal of the American Medical Association 255 (21 de março de 1986), 1457-1458.
[2] – Dialogue 6, De consolatione ad Marciam, 20.3, citado por Martin Hengel, Crucifixion (Philadelphia: Fortress, 1977), 25
[3] – Hengel, Crucifixion, 9.
[4] – Ibid., 22.

21 março 2013

5 mitos sobre o perdão


“Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, e assim como Deus, perdoou vocês em Cristo” (Efésios 4.32)

“A maioria dos avanços de Satanás na vida dos cristãos”, escreveu Neil Anderson, “é devido à falta de perdão”. Eu não poderia concordar mais. Não é difícil imaginar o porquê, uma vez que percebemos que falta de perdão gera amargura, ressentimento, raiva, maldade, e até mesmo desespero. Para nós, nada é mais importante do que saber o que é perdão, e o que não é. Então o que proponho nesse estudo é , primeiro, examinar cinco mitos sobre o perdão, isto é, cinco mentiras que muitos de nós tem abraçado sobre o que significa perdoar outra pessoa. Então, voltarei para falar sobre cinco verdades sobre perdão, ou cinco elementos essenciais que, sem eles, nunca haverá um perdão verdadeiro.

Mitos:

1. Ao contrário do que muitos têm sido levados a acreditar, perdão não é esquecer.

“Perdoe e esqueça”, temos dito por muitos anos. É bonito de dizer, mas altamente ilusório. Por quê?

Antes de tudo, apesar do que você pense que Jeremias 31:34 está dizendo (“Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados”), Deus não se esquece. Esta linguagem do profeta é uma metáfora, uma figura de linguagem, com intuito de enfatizar a determinação da graça de Deus em não manter-nos responsáveis por nossos pecados. Ele cancelou o débito e nunca exigirá um pagamento. Se Deus pudesse literalmente “esquecer”, isso enfraqueceria a verdade sobre sua onisciência. Deus sempre sabe e sempre saberá todas as coisas, mas ele prometeu nunca usar nossos pecados contra nós ou nos tratar como se a realidade de nossos pecados estivesse presente em sua mente.

Deus sempre sabe de tudo, mas prometeu nunca nos tratar como se a realidade de nossos pecados estivesse em sua mente.

Segundo, “perdoar e esquecer” é, simplesmente, psicologicamente impossível. Assim que você se concentrar para esquecer algo, pode ter certeza que, na maioria das vezes, é a única permanecerá à frente de sua consciência. Todos nós esquecemos coisas ao longo do tempo, mas o fazemos involuntariamente. Vida, experiência e a idade acabam apagando certas coisas de nossas memórias, mas raramente, ou nunca, são feridas que sofremos ou pecados cometidos contra nós.

Terceiro, achar que perdão demanda esquecimento pode ser emocionalmente devastador. Vamos supor que Jane demora dois meses para esquecer uma traição de Sally. Ela está se saindo bem e não gasta um segundo de seu pensamento com o pecado de Sally. Então é dito a Jane que Sally agiu da mesma forma com Mary, e ela imediatamente lembra a ofensa que sofreu. De repente, ela está cheia de culpa por não ter esquecido. O que ela achava que tinha expulsado de sua mente, agora, involuntariamente, volta correndo, e ela se sente como uma completa fracassada por não ter “realmente” perdoado sua amiga. Pior ainda, agora ela sente-se como uma hipócrita por ter prometido esquecer e agora simplesmente volta ao sentimento de raiva e ressentimento contra Sally. Jane não está só devastada, mas agora percebe o quão impossível é, literalmente, esquecer algo tão doloroso. Isso a faz extremamente relutante em perdoar alguém de novo, por achar que seu coração é incapaz de esquecer.

2. Perdoar alguém não significa que você já não sente mais a dor de suas ofensas

Na maioria dos casos, a única maneira de parar a dor é parar o sentimento, e a única forma de para o sentimento é morrer emocionalmente. Mas robôs sem coração não podem amar verdadeiramente a Deus ou aos outros. Essa pode ser a principal razão das pessoas serem relutantes em perdoar. Eles sabem que não podem deixar de sentir a ferida do pecado contra eles e não querem ser hipócritas ao dizer que perdoaram quando no fundo eles sabem que não o fizeram.

Vamos supor que Barbara descobre que seu marido, Bill, teve um caso. A agonia e o sentimento de profunda traição são intensos. Embora Barbara procurasse aconselhamentos extensivos, ela acabou separada de seu marido por um tempo. Depois de se reconciliarem, ela o perdoa, mas sob o pressuposto que para ela isso significa que nunca mais sentirá a dor do adultério. Então, uma noite ela vê Bill sorrindo e conversando com outra mulher na igreja. Apesar disso não ser nada além de uma simples simpatia, a angústia e suspeita de sua traição voltam rapidamente para dentro de sua alma. Ela repreende-se e questiona sua própria sinceridade: “Qual o problema comigo que não consigo superar isso?” Barbara tem que aprender que a dor da traição de seu marido provavelmente nunca irá se dissipar, mas isso não significa que ela verdadeiramente não o perdoou.

3. Perdoar alguém que pecou contra você não significa que você não tem anseio por justiça

Esteja certo disso: vingança não é uma coisa ruim! Se fosse assim, Deus estaria encrencado, pois Paulo nos diz, “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito, ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor” (Romanos 12.19). Aguardar por justiça é inteiramente legítimo, mas procurá-la por si próprio não é. Deixe Deus tratar com o ofensor de seu próprio jeito e no tempo apropriado. Ele é muito melhor nisso do que eu ou você.

Deixe Deus tratar com o ofensor de seu próprio jeito e no tempo apropriado. Ele é muito melhor nisso do que eu ou você.

O ponto é que o perdão não significa que você ignora o que foi feito de errado ou que você nega o pecado que foi cometido. Perdão não significa que você está fechando seus olhos para atrocidades morais ou finge que não se machucou, ou que isso realmente não importa se o ofensor é chamado a responder por suas ofensas contra ele/ela. Você não está sendo convidado a diminuir a gravidade do delito ou dizer aos outros, “Ah, não foi nada disso, afinal de contas, não era grande coisa.” Perdão significa simplesmente que você determina em seu coração deixar Deus ser o vingador. Ele é o juiz, não você.

Frequentemente, nós recusamos perdoar os outros porque, equivocadamente, achamos que para fazermos isso temos que minimizar seus pecados. “E isso não é justo! Ele realmente me machucou. Se eu perdoar, quem irá se importar em defender minha causa e tratar minhas feridas?” Deus irá. Não devemos nunca comprar a mentira de que o perdão significa que o pecado foi limpo, ignorado, ou que o autor não será responsável por suas ações. É simplesmente que, conscientemente, escolhemos deixar Deus ser o único que determina o curso adequado de ações para lidar com justiça com a pessoa ofensora.

4. Perdoar não significa que você deixará facilmente o ofensor te machucar de novo.

Talvez eles te machuquem de novo. Isso é decisão deles. Mas você deve estabelecer limites nos seus relacionamentos com eles.  O fato de estabelecer regras que determinam como e quanto você interage com essa pessoa no futuro não significa que você não conseguiu sincera e verdadeiramente perdoá-la. Amor verdadeiro nunca auxilia e nem é cúmplice do pecado do outro. O autor pode se ofender se você definir parâmetros em sua amizade para impedi-lo de cometer novos danos. Eles podem até dizer, “Como você atreve? Isso prova apenas que você não queria dizer o que disse ao me perdoar.” Não compre essa idéia de manipulação. Perdão não significa se tornar um capacho indefeso e passivo para o pecado contínuo.

O amor verdadeiro nunca auxilia e nem é cúmplice do pecado do outro.

5. Perdão raramente é um evento único, pontual

É na maioria das vezes um processo vitalício. Entretanto, o perdão tem que começar alguma hora e em algum lugar. Sem dúvida, haverá um momento, um ato, quando você decidirá decisivamente perdoar. Isto pode muito bem ser altamente emocional e intenso espiritualmente e trazer alívio imediato; um senso de libertação e liberdade. Mas isso não significa, necessariamente, que você nunca precisará fazer de novo. Você pode precisar reafirmar a si mesmo seu perdão à outra pessoa todos os dias. Cada vez que você vê a pessoa, você pode precisar dizer a você mesmo, “Lembre que você perdoou o(a) _________!”

Podem existir muitos outros mitos sobre perdão, mas estes são provavelmente os mais importantes deles.

por Sam Storms
Traduzido por André Carvalho | iPródigo.com

15 março 2013

Você “adicionaria” o apóstolo Paulo?


Precisamos de mais gente como Onesíforo na igreja de hoje. Ele é um desses personages bíblicos que são facilmente esquecidos por causa de nossa tendência a focar nos “gigantes” das Escrituras (por exemplo, Abraão, Moisés, Davi, Pedro, Paulo, etc).

Considere, por exemplo, o que aprendemos sobre Onesíforo em 2 Timóteo 1:15-18:

Estás ciente de que todos os da Ásia me abandonaram; dentre eles cito Fígelo e Hermógenes. Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo, porque, muitas vezes, me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas; antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou solicitamente até me encontrar. O Senhor lhe conceda, naquele Dia, achar misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes, melhor do que eu, quantos serviços me prestou ele em Éfeso.

Três coisas sobre Onesíforo se destacam:

1. Quando todos os outros abandonaram Paulo, Onesíforo foi até ele. Onesíforo não era um daqueles que simplesmente “vão junto com a multidão”. Ele se arriscou ao ridículo, à zombaria e ao desprezo para realmente ir contra a corrente predominante da opinião popular sobre Paulo.

2. Onesíforo perseverou frente às dificuldades. Tantos de nós têm um grande idealismo – até que as coisas fiquem difíceis. Então, viramos as costas. Onesíforo não. Quando ele chegou em Roma e não conseguiu encontrar Paulo, o apóstolo fala da perseverança de Onesíforo: ” tendo ele chegado a Roma, me procurou solicitamente até me encontrar”. Lindo.

3. Onesíforo se orgulhava de Paulo. Isso é muito maior do que simplesmente dizer “Onesíforo me deu ânimo”. Se Paulo só dissesse isso, poderíamos imaginar Onesíforo fazendo-o silenciosamente – talvez à noite quando ninguém pudesse ver. Teria Onesíforo entrado sorrateiramente na cela de Paulo quando ninguém estava olhando porque ele tinha vergonha de sua associação com Paulo? Não este amigo. Paulo, talvez com lágrimas, escreveu que Onesíforo “nunca se envergonhou das minhas algemas”. Onesíforo não ligava se as pessoas fofocavam ou murmuravam – ele estava orgulhoso da determinação de Paulo a sofrer por amor de Cristo.

O que capacitou Onesíforo a agir desta forma? O que faz alguém ser tão contra-cultural? Eu só posso concluir que Onesíforo estava tão consumido por seu amor por Jesus que ele agora era livre da aprovação das pessoas; livre do medo de desprezo; livre do fascínio do mundo; livre da indiferença. Onesíforo, pelo poder do Evangelho, era livre para amar.

O que eu vejo em Onesíforo é a incorporação de Gálatas 5:6, a saber, “a fé que atua pelo amor”. A fé que havia em Onesíforo tinha um impulso – e este impulso era o amor. E este amor não era fraco ou medroso ou egoísta de forma alguma.

Que Deus me ajude a amar assim.

por Mike Pohlman
Traduzido por Daniel TC | iPródigo |

14 março 2013

A ‘“Des’cristianização” do Cristianismo


Estamos vivendo num tempo em que, além do amor de muitos ter se esfriados, muitos tem entendido o cristianismo da forma que querem entender, e não da forma correta.

O pluralismos Religioso que é um movimento filosófico-teologico que surgiu no inicio do século XIX, deu a cada um o “direito” de moldarem o cristianismo conforme sua vontade, conforme o seu julgamento! Isto porque este movimento prega que não existe verdade absoluta, que todos os caminhos levam ao céu e que eu tenho o direito de ter a minha verdade, e seja qual for esta verdade é ela que me salvará. Sabemos que o que este movimento prega é mentira, mas muitas pessoas tem acreditado.

O problema disso é que muitas pessoas que vêem a igreja e não vivem o que Jesus pregou, acham que só porque vieram a igreja estão salvos! Tem gente que acha que ser cristão é só vir a igreja, mas ser cristão não é isso! Ser cristão é praticar os ensinamentos de Jesus, depois que se entregou a vida a Ele.

Nós temos aqui uma união de fatores, e não fatos isolados do que é ser cristão. Pois bem, a partir disto surge o problema, o tema e a solução. O problema é que tem gente que se acha ser cristão só porque vem a igreja e não vive nada do que Deus falou em todo o NT. A isso chamo “‘des’cristianização” do cristianismo, pois estão tentando retirar os princípios a serem seguidos e transformá-los no ato da “romaria” até a igreja, como se isso fosse suficiente para ser cristão, e mais como se isso fosse suficiente para ser salvo, e esse é o tema. A solução não é tão simples, pois se tem que quebrar tal mentalidade pluralista, para então começar a ensinar os princípios cristão, ensinar bíblia, para que as pessoas saibam o que se tem que seguir e o que fazer para ser um cristão de verdade e conseqüentemente ser salvo por Deus.

Quando chega neste ponto é que nos lembramos que pelos frutos de cada um (Mt 7.15-20) podemos dizer quem é um cristão de verdade e quem não é! Não estamos aqui para julgar, mas este é um método. Além do mais só vamos observar os frutos a partir do momento em que ensinarmos (talvez novamente) quais são os frutos, e os desafiarmos a viver isso!

Não estamos querendo viver uma “utopia”, mas queremos chegar mais perto de Jesus! Na verdade queremos ser verdadeiros discípulos e não fariseus (que faziam tudo por mera reliosidade), e para isso vamos ter que romper com as barreiras da sociedade, as barreiras filosóficas, barreiras morais, barreiras comportamentais e as barreiras formadas pela religiosidade brasileira. Por isso precisamos fazer o nosso melhor e ensinar a todos como viver uma vida que agrada a Deus, uma vida verdadeiramente pautada pelos ensinos de Jesus Cristo, uma vida cristã.

Pr. Yuri Guimarães

12 março 2013

O mistério do amor do Pai


“Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” 1 João 4.9-10

João também nos informa da competência na qual o Pai enviou o Filho – ‘a propiciação pelos nossos pecados’. É isso o que coroa a manifestação. Estupefação é a única reação apropriada de nossa parte frente à missão do filho unigênito do Pai em um mundo de pecado, miséria e morte. Quão humilhante para o Santo ser sujeitado a condições contrárias tanto ao seu caráter quanto à sua glória. Mas ser enviado como uma ‘propiciação pelos nossos pecados’ maravilha o próprio espanto. O que propiciação significa?

Significa uma coisa apenas; fazer Deus propício. E fazer propício significa afastar de nós o furor da ira de Deus. É a propiciação pelos nossos pecados. O julgamento de Deus repousa sobre o pecado e toda substância do seu julgamento sobre o pecado procede de sua ira, seu descontentamento santo contra o pecado. Propiciação diz respeito à remoção daquela ira, à substituição do favor e da boa vontade no lugar da ira e da indignação.

Propiciação é tornar Deus propício; não é tornar Deus amoroso. Nós éramos os objetos do seu amor enquanto ainda éramos os filhos da ira. Deus enviou seu Filho para que a sua ira pudesse ser propiciada; o envio do Filho foi a provisão do seu amor para que esse amor pudesse realizar o seu propósito.

Nós pensamos no Getsêmani e no sangue transpirado. Nós pensamos no Calvário e no seu choro amargo. O Pai enviou seu próprio Filho para a agonia do jardim do Getsêmani e para o abandono da cruz maldita. Ele o enviou para essas provações incomparáveis precisamente porque foi na competência de propiciação que o enviou. E é por isso que o golpe implacável foi executado no unigênito. ‘Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar’ (Isaías 53.10). ‘Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados’ (Isaías 53:5).

Isso é amor. Sem nenhuma suspensão de sua identidade como unigênito do Pai e sem nenhuma retração do amor infinito que o Pai gerou nele, o Pai enviou o Filho para assumir o completo preço da santa vingança que era o julgamento necessário de Deus sobre os nossos pecados. Quão grande mistério! É o mistério do amor do Pai, um mistério para ser apreendido e acolhido, para ser festejado e adorado, mas incompreensível em sua grandeza.

Traduzido por Kimberly Anastacio | iProdigo.com

05 março 2013

Perdoar uns aos outros - Parece simples? Errado.



Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade;Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. Colossenses 3:12-13


Deus manda seus filhos para perdoar uns aos outros. Por esta razão - Ele perdoou a dívida incalculável contra ele, de modo que devemos perdoar aqueles que pecam contra nós. 

Parece uma frente e simples, certo? Talvez não tão para a frente e simples como parece na superfície.

Nós vivemos em um mundo cheio de pecado, cristãos e não-cristãos uns contra os outros. E muitas vezes de formas devastadoras. Infelizmente, mesmo os cristãos caem em pecados horríveis às vezes ele pode ter a vida destruída quando você pecou contra. O pecado causa tristeza, angústia e miséria. Então  quando alguém pecar contra você, eu não diria que você acabou de forma rápida e dizer levianamente, Oh, bem, eu perdôo você, está tudo bem. Tudo volta ao normal.

Se alguém machuca ou nos trai e pede perdão, isso não significa que não devemos falar sobre o pecado e como ela nos machucou.  Isso não significa que nós apenas escondemos para debaixo do tapete e seguir em frente. Pecado é devastador. Pode levar algum tempo para chegar ao lugar onde podemos perdoar e restaurar o relacionamento.

Houve momentos no passado de ter sido muito rápido para incentivar as pessoas a se reunir com alguém que pecou contra eles e perdão subvenção.

E o perdão não significa que não deve haver consequências. Alguns pecados pode envolver até mesmo chamar a polícia, mesmo que alguém se arrepende. Se eu sair e irresponsavelmente cobrar R $ 20.000 em meu cartão de crédito, em seguida, pedir perdão a minha mulher, mesmo que ela me perdoa eu vou ter que pagar esse dinheiro de volta. Vou ter consequências para um longo tempo. 

E mesmo quando perdoamos alguém, isso não significa que devemos imediatamente confiar neles. pecado destrói a confiança. Ele pode levar um longo tempo para ganhar a confiança de novo, uma vez que foi destruído.

Perdoar os outros tem o poder de Deus. Nós não podemos fazê-lo em nossa própria força. Mas Jesus pode nos ajudar. Se você está lutando com rancor ou amargura em relação a alguém, clame a Deus para ajudá-lo. Busque o conselho, fale com um cristão maduro de confiança ou o seu pastor. Se você conhece alguém que pecou contra você, de forma significativa, e trabalhou com ele e chegou a um lugar de perdão, se reunir com ele e procurar suas percepções.

Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. Diz: "Você também deve perdoar." A falta de perdão e amargura não são opções. Estamos trabalhando nossas vidas juntos. Eu preciso de você para me perdoar quando eu pecar contra ti, e devo te perdoar, mas também porque Deus nos perdoou em Cristo.  

por MARK ALTROGGE

11 janeiro 2013

João - Um Homem Dominado pelo Amor


Saulo, com sua personalidade difícil e agressiva, foi colocado de joelhos diante da luz de Cristo. Da mesma maneira, o genioso pescador que Jesus apelidou "filho do trovão" foi transformado pelo amor de Cristo.

Três discípulos - Pedro, Tiago e João - tiveram o privilégio de testemunhar a ressurreição da filha de Jairo (Mc 5.37); a transfiguração de Jesus (Mt 17.1-4); e a agonia de Jesus no jardim do Getsêmani (Mc 14.32-42).

João foi o primeiro discípulo a entender o significado da ressurreição de Jesus. Quando Maria Madalena descobriu  que a pedra colocada na frente do túmulo de Jesus havia sido movida, correu para encontrar  Pedro e João, que se refere a si mesmo como "o discípulo a quem Jesus amava". João foi o primeiro a chegar à sepultura. Quando viu os panos usados para cobrir o corpo de Cristo, ele creu. Como afirma João 20.9, "eles ainda não haviam compreendido que, conforme a Escritura, era necessário que Jesus ressucitasse dos mortos."

João também foi o primeiro discípulo a reconhecer o Senhor ressurreto. Os discípulos estavam pescando no mar da Galiléia quando viram um homem na praia. Aquele homem lhes perguntou se haviam pegado algum peixe. A resposta foi negativa. Então ele os instruiu a jogar as redes do outro lado do barco. Quando as redes foram recolhidas, repletas de peixes, João reconheceu o homem: "É o Senhor!" (Jo 21.7).

João escreveu cinco livros do Novo Testamento: o Evangelho de João, 1-2-3 João e o Apocalipse. Todos estão permeados da mensagem do amor de Deus manifestado em Jesus Cristo. O Evangelho de João mostra como a Palavra, Jesus Cristo, se fez carne e viveu entre nós (Jo 1.14). Da mesma maneira, Apocalipse apresenta Cristo, a Palavra, como aquele cuja voz é "como o som de muitas águas" (Ap 1.15) e que, ao mesmo tempo, "nos ama e nos libertou dos nossos pecados por meio do seu sangue" (Ap 1.15).

As três cartas, por sua vez, mostram como Jesus Cristo, " o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam" (1Jo 1.1), nos convoca para amar uns aos outros. Diz João "Amados, amaremos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor" (1Jo 4.7-8). No fim, "o discípulo a quem Jesus amava" revelou-se forte como um trovão, mas por conta do seu amor.

Bíblia do Homem

14 dezembro 2012

Estêvão - Um Homem de Fé e Coragem



Estêvão foi um dos sete homens escolhidos para fazer a distribuição de alimentos para as viúvas de fala grega (At 6.1). Não se tratava de um ministério dos mais prestigiados, mas era essencial, pois libertava os apóstolos para o ensino e a pregação da Palavra do Senhor (At 6.4).

Estêvão era um um orador persuasivo (At 6.9-10). Era um homem cheio de Fé, do Espírito Santo, de graça, de poder e de sabedoria. Ele até realizava milagres e sinais entre as pessoas. (At 6.8).

O discurso que Estêvão fez diante dos líderes religiosos judeus foi corajoso e duro. Eles haviam subornado pessoas para que mentissem a respeito de Estêvão, dizendo: "Este homem não para de falar contra este lugar santo e contra a lei" (At 6.13).

Quando os líderes religiosos perguntavam: "São verdadeiras estas acusações?", Estêvão respondeu com o maior sermão de todo o Novo Testamento (At 7.2-53), que incluía uma revisão da história hebraica e mais uma hábil argumentação a respeito de como os judeus continuavam a rejeitar os mensageiros de Deus. Assim como os irmãos de José se rebelaram contra aquele que os salvaria (At 7.9-16) e os israelitas se rebelaram contra seu libertador, Moisés (At 7.35), os acusadores de Estêvão também estavam se rebelando contra o Salvador que Deus enviara, Jesus (At 7.51-52).

"Povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos!", disse Estêvão a seus acusadores. "Vocês são iguais aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo" (At 7.51). Os líderes religiosos ficaram furiosos. No entanto, quando Estêvão olhou para o céu e disse que via Jesus ao lado direito de Deus, eles acharam que aquele homem havia passado da conta. Estêvão foi arrastado para fora da cidade e apedrejado até a morte.

Um dos homens que assistiram ao apedrejamento e que viram a face de Estêvão parecendo "o rosto de um anjo" (At 6.15) não se conteve e ficou impressionado com tanta coragem. Enquanto  tomava conta dos mantos dos acusadores de Estêvão, Saulo provavelmente sentia cada pedra que atingia aquele homem. Mais tarde - mesmo enquanto arrastava cristãos até a cadeia -, Saulo teve de lutar contra a lembrança do matírio de Estêvão. Foi então que ele teve um encontro pessoal com Jesus Cristo na estrada para Damasco. Tal como Estêvão, ele viu os céus abertos. E quando Saulo, já usando nome Paulo, tornou-se o primeiro missionário da igreja a trabalhar em terras estrangeiras, o sangue de Estêvão foi a semente que disseminou o cristianismo por todo o mundo.

Bíblia do Homem

02 outubro 2012

O amor de Deus é incondicional?


Tornou-se moda nos círculos evangélicos falar, quase que sem hesitação, do amor incondicional de Deus. É certamente uma mensagem agradável para as pessoas ouvirem e se ajusta a certo tipo de discurso politicamente correto. Em nosso desejo de comunicar às pessoas a doçura do evangelho, a disposição de Deus de cobrir nossos pecados com o perdão e a incrível profundidade do Seu amor mostrado na cruz, usamos uma expressão hiperbólica para o escopo e extensão do Seu amor.

Onde nas Escrituras encontramos essa noção do amor incondicional de Deus? Se o amor de Deus é absolutamente incondicional, por que falamos às pessoas que elas têm que se arrepender e ter fé para serem salvas? Deus estabelece condições claras para uma pessoa ser salva. É verdade que, em certo sentido, Deus ama mesmo aqueles que não satisfazem as condições de salvação, mas essa sutileza é geralmente perdida pelo ouvinte quando o pregador declara o amor incondicional de Deus. As pessoas ouvem que Deus irá amá-los continuamente e aceitá-los, não importa o que eles façam ou como eles vivam. Declaramos assim um universalismo descarado se falarmos do amor incondicional de Deus sem uma clara e cuidadosa qualificação do que isto significa.

Um contraste interessante pode ser visto ao comparar a pregação dos evangelistas dos séculos XVIII e XIX com os evangelistas modernos. A ênfase nos séculos anteriores estava na ira de Deus direcionada contra pecadores impenitentes. De fato, a pregação de Jonathan Edwards tem sido descrita como uma pregação evangelista que empregava uma “teologia do medo”. Esta abordagem deu lugar uma ênfase mais positiva no amor de Deus. Claro, Edwards também declarava o amor de Deus, mas não sem lembrar aos pecadores que enquanto eles continuassem impenitentes, estariam expostos à ira de Deus e estariam na verdade acumulando ira contra si mesmos para o dia da ira (Romanos 2.5).

Edwards advertia seu povo que eles eram mais repugnantes a Deus em seus pecados do que súditos rebeldes eram aos seus príncipes. Essa era uma parte e uma parcela da proclamação do evangelho da reconciliação. Não pode haver uma conversa sobre reconciliação sem antes estabelecer que há uma alienação ou um afastamento anterior. Indivíduos que não estão em conflito não precisam de reconciliação. O conceito bíblico de reconciliação pressupõe uma condição de afastamento entre Deus e o homem.

Muito é dito sobre a hostilidade do homem contra Deus. A Bíblia diz que somos inimigos de Deus por natureza. Essa inimizade é expressa em nossa rebelião pecaminosa contra Ele. A visão contemporânea popular disso é que nós estamos afastados de Deus, mas Ele não está afastado de nós. A inimizade está em um dos lados apenas. A figura que pintamos é que Deus continua nos amando com um amor incondicional enquanto permanecemos com ódio em relação a Ele.

A cruz desmente essa figura. Sim, a cruz aconteceu porque Deus nos ama. Seu amor está por trás de Seu plano de salvação. Entretanto, Cristo não foi sacrificado na cruz para nos aplacar ou para servir de propiciação para nós. Seu sacrifício não foi planejado para satisfazer nossa inimizade injusta contra Deus, mas para satisfazer a ira justa de Deus contra nós. O Pai foi o objeto do ato de propiciação do Filho. O efeito da cruz foi remover o afastamento divino de nós, não nosso afastamento dele. Se negarmos o afastamento de Deus de nós, a cruz é reduzida a uma patética e anêmica influência moral sem nenhuma satisfação substitutiva de Deus.

Em Cristo, o obstáculo do afastamento é superado, e somos reconciliados com Deus. Mas essa reconciliação se estende apenas àqueles que creem. Aqueles que rejeitam a Cristo permanecem em inimizade com Deus, afastados de Deus, e objetos tanto de Sua ira quanto de Sua aversão. Qualquer que seja o tipo de amor que Deus tem pelo impenitente, ele não exclui Seu justo ódio e aversão deles, que está em forte contraste com Seu amor redentor.


24 julho 2012

Amamos o mundo corretamente somente quando amamos o Pai completamente


Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. (1 João 2:15)

O que o amado apóstolo quer dizer quando escreve, “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo”? João não entende por “amor” somente desfrutar as coisas boas da criação. Ele não quer dizer que você ama o mundo se você desfruta as boas dádivas corretamente.

A razão pela qual ele não quer dizer e não pode dizer isso é porque o evangelho de João prega, na verdade, a nossa libertação do mundo para que possamos desfrutar corretamente o mundo. Considere Atos 14.15-17. No contexto, Paulo e Barnabé são confundidos como deuses gregos e o povo começa a adorá-los. Paulo fala para corrigir as multidões. Perceba como ele argumenta que o evangelho produz a alegria correta na criação de Deus.

15 “Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos  aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles – [é assim como o evangelho reorienta ao Criador até então distante da criação] – 16 o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos;17 contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria.” [Primeiro adoramos o único e verdadeiro Deus que criou tudo e deu bênçãos na criação, depois podemos ter nossos corações corretamente completos com alegria por meio das suas dádivas na criação]

Mas há mais. O evangelho não somente nos liberta para pensar e para se alegrar na criação devidamente, a alegria correta da criação pode contribuir para a nossa segurança da salvação. Olhe comigo em 1 Timóteo 6.17-19.

17 Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; [Você vê? Esse é o evangelho nos reorientando a ter fé em Deus ao invés de ter no mundo presente, e libertando-nos para desfrutar tudo]. 18 que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; [Esse é a alegria e uso corretos das dádivas de Deus --- boas obras e partilha. Perceba como eles guiam para a segurança da nossa salvação] 19  que acumulem para si mesmo tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.

 Então, quando João diz, “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo”, ele não está dizendo que o povo de Deus não deveria desfrutar e usar as dádivas de Deus de um jeito correto. Eles deveriam. Alegria correta e o uso das bênçãos de Deus até contribuem para a nossa confiança da vida eterna.
O que João quer dizer com “Não ameis o mundo” é colocar nada “[d]o mundo” antes do próprio Deus. Não se junte ao mundo de uma maneira que enfraqueça e possa destruir a fé, a obediência e a fidelidade ao Pai. Essa é a preocupação de João.

O que nos leva a um importante princípio: Não podemos amar o mundo corretamente antes de amarmos o Pai completamente. Escrevo isso com um pouco de medo e tremor. Sei que essa simples frase pode trabalhar no coração de diferentes maneiras dependendo de qual condição espiritual em que você se encontra agora.

Você parece ser alguém que professa ser cristão, mas realmente você não é. Você é como o homem em 1 João 2.15 que ama o mundo e não tem o amor do Pai nele. No entanto, você contou a si mesmo que você tem, ou você contou a si mesmo “Ei, não há nada de errado em ter coisas” e assim por diante. Se você é essa pessoa, aqui está o que acabou de acontecer quando você leu “Você não pode amar o mundo corretamente antes de amarmos o Pai completamente”: Você assinalou o quadradinho “eu amo o Pai” sem mesmo pensar sobre isso e você imediatamente pensou nos anseios, desejos, coisas, e atividades que você pode continuar fazendo no mundo. Ao invés de ouvir a afirmação como uma exortação a um amor mais pleno por Deus, você toma o que é dito como uma permissão para continuar o seu caminho pecaminoso. Você está usando a verdade da Bíblia como uma desculpa para amar mais o mundo do que Deus. Você está pensando como o mundo.

Agora, se você está pensando sobre isso como um cristão, você deve estar se perguntando, “Como posso ter um amor mais completo pelo Pai?” Seus pensamentos, desejos e ações são atraídos não para amar o mundo corretamente mas para amar o Pai completamente. Você deve extrair segurança, esperança e desejo disso se você é um cristão que justificadamente sente certeza da sua salvação. Todo o seu interior simplesmente concordou com a cabeça e se alegrou com a ideia de amar Deus completamente.

No entanto, você pode estar numa terceira categoria. Você pode ser um cristão que luta com dúvida e insegurança da salvação. Você pode ter ouvido essa frase e pensado consigo, “Eu não amo o Pai completamente.” Você pode pensar na fraqueza do seu amor, nas imperfeições. Você quer amar o Pai mais completamente mas você se desespera e se sente desencorajado a fazer. Seja encorajado porque o seu coração e mente estão na direção certa. Preste atenção na direção a qual o seu coração verdadeiramente se inclina – em direção a Deus. Se você não fosse de Cristo, você nem mesmo teria o desejo de amar o Pai. Se você não fosse de Cristo, você não se lamentaria da fraqueza do seu amor. Amor fraco não é o mesmo que amor zero. Ânimo! O desejo de amar a Deus que você tem vem de Deus. Descanse a sua confiança não na perfeição do seu amor, mas na perfeição de Jesus Cristo, que te ama e ama o Pai por você.

Como sabemos se amamos verdadeiramente Deus ao invés do mundo? Sabemos que amamos Deus e não o mundo quando negamos nossas motivações e desejos caídos e desejamos o modo de viver de Deus e a glória de Deus em tudo. Esse é você?

por Thabiti Anyabwile

05 junho 2012

Amor verdadeiro


Deus é amor, e o amor nunca falha porque Deus nunca falha. O amor não pode ser separado de Deus e não pode existir sem Ele. O amor de Deus é a fundação e definição do amor, assim como Ele também é a fonte, o provedor e a garantia do amor. Sem Ele, o amor não é apenas inútil, mas sem sentido. Sem Deus como sua fonte e centro, o que os seres humanos concebem como amor é impaciente e cruel, invejoso e orgulhoso, arrogante e rude, sempre insistindo em seu próprio caminho, irritado, ressentido, se regozijando com a injustiça e a falsidade. Sem Deus, o amor não passa de uma mentira odiosa de satanás.

Diariamente ouvimos pessoas falando sobre amor como se fosse uma espécie de força impessoal e uma energia impessoal que, sozinha, tem o poder de mudar os corações, restaurar lares, curar doenças, reconstruir comunidades e unir nações. O mundo está encantado com a ideia do amor. Até mesmo a palavra em si, amor, se degenerou em um abrangente e receptivo termo que parece estar no centro de uma crescente linguagem mundial de única-religião-politicamente-correta – uma linguagem de amor que se tornou uma religião em si mesma. E embora o mundo, a carne e o Diabo amariam tirar toda beleza e caráter do amor afim de torná-lo mais adaptável para todos os contextos e teologias, seria uma tentativa fútil. Pois assim como apenas Deus define Deus, Deus define amor.

No fim, a única definição verdadeira de amor será, de fato, vencedora, porque a verdade irá ganhar, e a verdade irá ganhar porque Cristo já venceu, e Cristo venceu porque Deus tanto amou o mundo que Ele deu seu filho unigênito para que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Certamente, nós merecíamos perecer – não apenas hoje, mas por toda a eternidade – e nós não merecemos a vida – nem a vida que vivemos hoje e nem a vida eterna. O salário do meu pecado rebelde é a morte. Consequentemente, eu mereço a condenação eterna tanto quanto Mahatma Ghandi, Adolf Hitler e os meus próprios filhos. Todo homem, mulher e criança – não importa o quanto acreditamos ser bons ou maus – irá perecer se não se arrepender de sua confiança em si mesmo e crer em Jesus Cristo, aquele que é a única verdade, a única vida, e o único caminho ao Pai.

Amor verdadeiro significa proclamar a verdade. Amor verdadeiro significa proclamar o evangelho. Amor verdadeiro significa proclamar o amor de Deus e a ira de Deus, e a coisa menos amorosa que poderíamos fazer é esconder a verdade daqueles que estão perecendo sem Cristo – a verdade sobre o amor, a santidade, a justiça e a graça de Deus; a verdade sobre o pecado do homem, a morte e o inferno; a verdade sobre a fé, o perdão e a vida eternamente coram Deo – perante a face de Deus – no céu, onde o amor de Deus reinará sobre nós para sempre.

por Burk Parsons
Traduzido por Marianna Brandão | iPródigo.com | Original aqui
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