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02 abril 2013

Uma rede de sabedoria (1)


Mídias sociais para a glória de Deus

Mídia social é possivelmente a expressão mais comum ou popular do que é por vezes chamado de Web 2.0. A Web 1.0, para aqueles que possam estar se perguntando, era constituída basicamente de páginas estáticas contendo dados pré-fixados. A Web 2.0 é a mais dinâmica e interativa expressão da rede que todos nós agora apreciamos ou ao menos utilizamos. A Web 3.0, para aqueles atormentados com tamanhas perspectivas futuras, deve envolver uma aproximação cada vez mais estreita em tempo real dos interesses apreendidos dos usuários baseados nos dados coletados a partir de suas atividades anteriores. (Curiosamente, o fato disso já estar sendo feito tem aterrorizado e enfurecido a minha estimada mãe – Google, tome cuidado!)

Mídias sociais são essas plataformas e aplicativos em que, e pelas quais, pessoas criam, compartilham, trocam e comentam informações. A maioria das definições e catálogos incluem uma vasta gama de wikis, blogs, Facebook, Twitter, YouTube, Pinterest, Tumblr, Instagram, Snapchat, salas de bate-papo, mensagens instantâneas e fóruns de discussão, MySpace, Bebo, Flickr, Vine e um monte de outros.

Entretanto, se somos seguidores professos de Jesus Cristo, deveríamos nos envolver, e – caso sim – como e para que fins? Podemos usar as mídias sociais para a glória de Deus? Essa pergunta leva às respostas do que se pode e o que se deve fazer quanto ao engajamento nas mídias sociais. Eu acredito que, se estivesse disponível para dar uma opinião, o apóstolo Paulo sugeriria, em essência, que nós podemos usar as mídias sociais e que – se nós as usarmos – que devemos usá-las para a glória de Deus.

Minha resposta é baseada em 1 Coríntios 10.31: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” Aqui Paulo está respondendo, pela segunda vez na carta, à linguagem que pode ter sido ou se tornado um slogan corintío, possivelmente uma versão distorcida de uma verdade que estava sendo abusada por uma interpretação e aplicação errôneas: “Tudo me é lícito”. Mesmo que Paulo ou outro mestre tivesse usado essa linguagem de alguma forma, não era com a intenção de prover proteção à rudes males. No capítulo 10, Paulo responde à declaração de que “todas as coisas são lícitas” com os avisos de que nem tudo é útil ou edificante. Sua discussão subsequente, abordando a questão da comida oferecida a ídolos, termina no princípio geral de que quer você coma ou beba, ou faça qualquer coisa, você o faz para a glória de Deus.

Certamente, Paulo quer que nós nos asseguremos de que nossas atividades mais mundanas sejam realizadas com o foco em glorificar a Deus. Mas esse beber e comer não é, no contexto, uma atividade mundana e sem significado. É uma atividade que pode envolver uma ligação com idolatria, se não aos nossos olhos, então potencialmente aos olhos dos outros. O ponto no princípio de Paulo, então, é que nossa maior preocupação não deve ser com nossos próprios direitos, desejos e liberdades, mas com o impacto potencial e implicações do nosso comportamento na honra e glória do Senhor. A glória de Deus e a reputação da igreja serão comprometidas por nossa conta se o que fizermos levar os outros a julgarem desfavoravelmente a fé que nós professamos e o Deus a quem nós servimos.

Nossa grande preocupação é que todas as coisas devem ser a glória de Deus, a honra de seu grande nome. Todo o resto deve estar subordinado a isso. Nas palavras de Charles Hodge, comentando essa passagem, “Que o eu seja esquecido. Que seu olhar esteja fixo em Deus. Que a promoção de Sua glória seja o objetivo de tudo que você faz.  Empenhe-se em tudo para agir de uma forma que os homens possam louvar o Deus que você professa servir”. Note a natureza proativa disso: com firmeza busque esses fins, seja pelo que você almeja e a forma como você busca isso, seja pelo que você se abstém de almejar. Matthew Henry também nos fornece esclarecimentos proveitosos:

" O apóstolo aproveita o ensejo desse discurso para definir uma regra para a conduta cristã, e a aplica nesse caso particular (v. 31, 32), a saber, que no comer e no beber, e em tudo que nós fazemos, devemos mirar a glória de Deus, o agradando e honrando. Esse é o princípio fundamental da piedade prática. O fim maior de toda religião prática tem que nos direcionar para onde regras específicas e expressas estão deficientes. Nada deve ser feito contra a glória de Deus, e o bem do nosso próximo, conectado a isso. Não, a tendência do nosso comportamento ao bem comum e a reputação da nossa santa religião devem dar direcionamento a isso. E, portanto, nada deve ser feito por nós para ofender alguém, quer seja judeu, ou gentio, ou a igreja, v. 32. Os judeus não devem ser desnecessariamente lamentosos nem preconceituosos, tendo tamanha repulsa para com ídolos, considerando tudo o que é oferecido a eles como, assim, contaminado, e que isso irá poluir e tornar culpável todos os que tomam parte nisso; nem devem os pagãos serem tolerados na sua idolatria por qualquer comportamento nosso, o que eles podem interpretar como uma homenagem ou honra feita aos seus ídolos; nem novos convertidos do gentilismo devem ser encorajados pela nossa conduta para assim manter qualquer veneração aos seu deuses pagãos e adoração, a qual eles renunciaram; nem nós devemos fazer nada que possa ser um meio que perverta qualquer membro da igreja de sua profissão ou prática cristãs. Nosso próprio humor e apetite não podem determinar nossa prática, e sim, a honra de Deus e o bem e edificação da igreja. Nós não devemos consultar nosso próprio prazer e interesse quanto ao avanço do reino de Deus entre os homens. Note, um cristão deve ser um homem devotado a Deus, e de um espírito público."

Então, nessa enxurrada de dados em que somos chamados a surfar, com suas demandas infinitas e vastas oportunidades, nós não podemos nos permitir uma dedicação impensada e descuidada. Como comida oferecida a ídolos, nosso uso das mídias sociais reflete na nossa profissão de seguir ao Senhor e portanto, por fim, reflete no próprio Senhor Deus.

Dessa forma, é absolutamente correto perguntar, primeiramente, “Eu posso, eu devo, me envolver?” A resposta para essa questão envolverá uma avaliação franca e honesta de nosso próprio caráter com suas inclinações e desejos. Levando isso em conta, devemos considerar a forma, intenções e efeitos usuais de toda aplicação e plataforma das mídias sociais: Qual é o tom e natureza disso? O que ele é designado para fazer por, para e com os seus usuários? Quais as orientações e tendências daqueles que empregam isso como ferramentas ou brinquedos? Perguntas assim geralmente levarão a respostas imediata e obviamente negativas. Sites criados para insultar ou expor (literalmente) ex-namorados e namoradas não tem espaço no histórico de navegação de um cristão. Também pode haver, entretanto, sites que alguns considerarão inofensivos que um cristão, ou alguns cristãos em particular, devem evitar ou ignorar porque não precisam deles ou não seriam capazes de usá-los de forma segura e aproveitável. Lembre-se, são raros, para muitos de nós, imperativos de “Você deve!” para a questão do envolvimento nas mídias sociais.

Isso nos leva à segunda questão: “Se eu posso me envolver, como devo fazer isso?” Como posso fazer isso para a glória de Deus? Para poder começar a responder a essa pergunta, eu desejo oferecer uma rede, uma web, de sabedoria, uma trama retirada do Livro dos Provérbios, que eu espero que ajude crentes a filtrar os perigos e avaliar sua contribuição para as várias plataformas de mídias sociais. Nos posts futuros, sugerirei alguns princípios básicos, alguns textos de apoio nos quais eu espero que você medite e uma breve síntese que pode te ajudar na sua reflexão. Eu não espero que isso vá responder a todas as perguntas, mas espero que isso venha a encorajar uma prudência e reflexão sobre o nosso uso das mídias sociais para a glória de Deus, promovendo também uma análise de outras formas de comunicação.

por Jeremy Walker
Traduzido por Kimberly Anastacio | iProdigo.com | 

24 julho 2012

Amamos o mundo corretamente somente quando amamos o Pai completamente


Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. (1 João 2:15)

O que o amado apóstolo quer dizer quando escreve, “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo”? João não entende por “amor” somente desfrutar as coisas boas da criação. Ele não quer dizer que você ama o mundo se você desfruta as boas dádivas corretamente.

A razão pela qual ele não quer dizer e não pode dizer isso é porque o evangelho de João prega, na verdade, a nossa libertação do mundo para que possamos desfrutar corretamente o mundo. Considere Atos 14.15-17. No contexto, Paulo e Barnabé são confundidos como deuses gregos e o povo começa a adorá-los. Paulo fala para corrigir as multidões. Perceba como ele argumenta que o evangelho produz a alegria correta na criação de Deus.

15 “Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos  aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles – [é assim como o evangelho reorienta ao Criador até então distante da criação] – 16 o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos;17 contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria.” [Primeiro adoramos o único e verdadeiro Deus que criou tudo e deu bênçãos na criação, depois podemos ter nossos corações corretamente completos com alegria por meio das suas dádivas na criação]

Mas há mais. O evangelho não somente nos liberta para pensar e para se alegrar na criação devidamente, a alegria correta da criação pode contribuir para a nossa segurança da salvação. Olhe comigo em 1 Timóteo 6.17-19.

17 Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; [Você vê? Esse é o evangelho nos reorientando a ter fé em Deus ao invés de ter no mundo presente, e libertando-nos para desfrutar tudo]. 18 que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; [Esse é a alegria e uso corretos das dádivas de Deus --- boas obras e partilha. Perceba como eles guiam para a segurança da nossa salvação] 19  que acumulem para si mesmo tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.

 Então, quando João diz, “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo”, ele não está dizendo que o povo de Deus não deveria desfrutar e usar as dádivas de Deus de um jeito correto. Eles deveriam. Alegria correta e o uso das bênçãos de Deus até contribuem para a nossa confiança da vida eterna.
O que João quer dizer com “Não ameis o mundo” é colocar nada “[d]o mundo” antes do próprio Deus. Não se junte ao mundo de uma maneira que enfraqueça e possa destruir a fé, a obediência e a fidelidade ao Pai. Essa é a preocupação de João.

O que nos leva a um importante princípio: Não podemos amar o mundo corretamente antes de amarmos o Pai completamente. Escrevo isso com um pouco de medo e tremor. Sei que essa simples frase pode trabalhar no coração de diferentes maneiras dependendo de qual condição espiritual em que você se encontra agora.

Você parece ser alguém que professa ser cristão, mas realmente você não é. Você é como o homem em 1 João 2.15 que ama o mundo e não tem o amor do Pai nele. No entanto, você contou a si mesmo que você tem, ou você contou a si mesmo “Ei, não há nada de errado em ter coisas” e assim por diante. Se você é essa pessoa, aqui está o que acabou de acontecer quando você leu “Você não pode amar o mundo corretamente antes de amarmos o Pai completamente”: Você assinalou o quadradinho “eu amo o Pai” sem mesmo pensar sobre isso e você imediatamente pensou nos anseios, desejos, coisas, e atividades que você pode continuar fazendo no mundo. Ao invés de ouvir a afirmação como uma exortação a um amor mais pleno por Deus, você toma o que é dito como uma permissão para continuar o seu caminho pecaminoso. Você está usando a verdade da Bíblia como uma desculpa para amar mais o mundo do que Deus. Você está pensando como o mundo.

Agora, se você está pensando sobre isso como um cristão, você deve estar se perguntando, “Como posso ter um amor mais completo pelo Pai?” Seus pensamentos, desejos e ações são atraídos não para amar o mundo corretamente mas para amar o Pai completamente. Você deve extrair segurança, esperança e desejo disso se você é um cristão que justificadamente sente certeza da sua salvação. Todo o seu interior simplesmente concordou com a cabeça e se alegrou com a ideia de amar Deus completamente.

No entanto, você pode estar numa terceira categoria. Você pode ser um cristão que luta com dúvida e insegurança da salvação. Você pode ter ouvido essa frase e pensado consigo, “Eu não amo o Pai completamente.” Você pode pensar na fraqueza do seu amor, nas imperfeições. Você quer amar o Pai mais completamente mas você se desespera e se sente desencorajado a fazer. Seja encorajado porque o seu coração e mente estão na direção certa. Preste atenção na direção a qual o seu coração verdadeiramente se inclina – em direção a Deus. Se você não fosse de Cristo, você nem mesmo teria o desejo de amar o Pai. Se você não fosse de Cristo, você não se lamentaria da fraqueza do seu amor. Amor fraco não é o mesmo que amor zero. Ânimo! O desejo de amar a Deus que você tem vem de Deus. Descanse a sua confiança não na perfeição do seu amor, mas na perfeição de Jesus Cristo, que te ama e ama o Pai por você.

Como sabemos se amamos verdadeiramente Deus ao invés do mundo? Sabemos que amamos Deus e não o mundo quando negamos nossas motivações e desejos caídos e desejamos o modo de viver de Deus e a glória de Deus em tudo. Esse é você?

por Thabiti Anyabwile

07 junho 2012

O Que Deus Fez Por Mim Pode Fazer Por Você! [1]

Daniel capitulo 3: "Nabucodonosor, o rei, fez uma imagem de ouro e levantou-a na província da Babilônia. E no dia da consagração da imagem, todos teriam que se prostrar diante dela.

   Havia três homens na província da Babilônia que não se curvaram. Eram judeus. E seus "amigos" os denunciaram a Nabucodonosor, quem manda chamá-los e diz: 'Sadraque, Mesaque e Abedenego, vocês pro acaso não querem se curvar perante a imagem que eu mandei levantar? Se vocês não se dobrarem, serão, no mesmo instante, lançados na fornalha de fogo ardente. E quem é o deus que poderar librar vocês das minhas mãos?' E eles responderam: 'Se nosso Deus, a quem nós servimos, quiser livrar-nos, Ele nos livrará da fornalha do fogo ardente e das tuas mão, ó rei! Se não, fica sabendo que nós não serviremos a teus deuses.' Então Nabucodonosor se encheu de fúria e ordenou que aquecessem a fornalha sete vezes mais e os lançou na fornalha. As chamas do fogo alcançaram os homens que os lançaram de cima. Então o rei Nabucodonosor se espantou e se levantou depressa, dizendo: 'Eu vejo quatro homens que andam e passeando dentro do fogo, sem nenhum dano e o aspecto do quarto é semelhante ao de um filho dos deuses...'

   Nabucodonosor então falou: 'Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abedenego, que enviou o seu anjo e livrou os seus servos, porque eles confiaram nEle, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar os seus corpos a servirem e adorarem a qualquer outro deus.' "

   Isso aconteceu no reino da Babilônia por volta de uns 580 anos A.C.

   É nesse Deus que eu creio. Embora o Deus em quem eu creio, por qualquer razão, às vezes, não nos livra da fornalha ardente, não nos livra dos nossos problemas, não nos livra das nossas doenças, mas Ele entra conosco na fornalha. Ele fica deitado conosco no leito de doente, Ele nos acompanha nos nossos problemas, Ele segura na nossa mão para nos dar força. É nesse Deus que eu Creio! É nesse Deus maravilhoso que está junto conosco, que está pronto a te responder, quando chamado por ti, é esse Deus que é o meu Deus  e é também o teu Deus. Amém!

Por Erlie Lenz Cesar

05 junho 2012

Amor verdadeiro


Deus é amor, e o amor nunca falha porque Deus nunca falha. O amor não pode ser separado de Deus e não pode existir sem Ele. O amor de Deus é a fundação e definição do amor, assim como Ele também é a fonte, o provedor e a garantia do amor. Sem Ele, o amor não é apenas inútil, mas sem sentido. Sem Deus como sua fonte e centro, o que os seres humanos concebem como amor é impaciente e cruel, invejoso e orgulhoso, arrogante e rude, sempre insistindo em seu próprio caminho, irritado, ressentido, se regozijando com a injustiça e a falsidade. Sem Deus, o amor não passa de uma mentira odiosa de satanás.

Diariamente ouvimos pessoas falando sobre amor como se fosse uma espécie de força impessoal e uma energia impessoal que, sozinha, tem o poder de mudar os corações, restaurar lares, curar doenças, reconstruir comunidades e unir nações. O mundo está encantado com a ideia do amor. Até mesmo a palavra em si, amor, se degenerou em um abrangente e receptivo termo que parece estar no centro de uma crescente linguagem mundial de única-religião-politicamente-correta – uma linguagem de amor que se tornou uma religião em si mesma. E embora o mundo, a carne e o Diabo amariam tirar toda beleza e caráter do amor afim de torná-lo mais adaptável para todos os contextos e teologias, seria uma tentativa fútil. Pois assim como apenas Deus define Deus, Deus define amor.

No fim, a única definição verdadeira de amor será, de fato, vencedora, porque a verdade irá ganhar, e a verdade irá ganhar porque Cristo já venceu, e Cristo venceu porque Deus tanto amou o mundo que Ele deu seu filho unigênito para que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Certamente, nós merecíamos perecer – não apenas hoje, mas por toda a eternidade – e nós não merecemos a vida – nem a vida que vivemos hoje e nem a vida eterna. O salário do meu pecado rebelde é a morte. Consequentemente, eu mereço a condenação eterna tanto quanto Mahatma Ghandi, Adolf Hitler e os meus próprios filhos. Todo homem, mulher e criança – não importa o quanto acreditamos ser bons ou maus – irá perecer se não se arrepender de sua confiança em si mesmo e crer em Jesus Cristo, aquele que é a única verdade, a única vida, e o único caminho ao Pai.

Amor verdadeiro significa proclamar a verdade. Amor verdadeiro significa proclamar o evangelho. Amor verdadeiro significa proclamar o amor de Deus e a ira de Deus, e a coisa menos amorosa que poderíamos fazer é esconder a verdade daqueles que estão perecendo sem Cristo – a verdade sobre o amor, a santidade, a justiça e a graça de Deus; a verdade sobre o pecado do homem, a morte e o inferno; a verdade sobre a fé, o perdão e a vida eternamente coram Deo – perante a face de Deus – no céu, onde o amor de Deus reinará sobre nós para sempre.

por Burk Parsons
Traduzido por Marianna Brandão | iPródigo.com | Original aqui

18 maio 2012

Ame e fale a verdade


O nono mandamento: “Não dirás falso testemunho contra o seu próximo”.
Nos termos mais simples possíveis, este mandamento está dizendo que não devemos apenas nos abster de dizer coisas que não são verdade, mas que nós devemos amar e promover a verdade.

Verdade é um importante tema nas Escrituras. A palavra aparece 252 vezes, 163 dessas no Novo Testamento. Cerca de metade dessas referências de “verdadeiro” ou “verdade” são dadas pelo próprio Jesus. Muitas vezes, quando Jesus falou, ele simplesmente precedia suas declarações dizendo que estava falando a verdade (Lucas 4.25; João 16.7). Às vezes, ele se referia a uma pessoa como quem “praticava a verdade” (João 3.21). Outras vezes, ele simplesmente afirmava que alguém disse a verdade (João 4.18). Outras vezes, ele usava a palavra “verdadeiro” antes de um substantivo, usando-a como um adjetivo – por exemplo:

“No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade.” (João 4.23).
“Assim, se vocês não forem dignos de confiança em lidar com as riquezas deste mundo ímpio, quem lhes confiará as verdadeiras riquezas?” (Lucas 16.11)
“Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.” (João 6.55)

Muitas vezes, Jesus faz um teste de veracidade para saber se a pessoa está alinhada com o Diabo ou com o Senhor (leia João 8.44). Ele mesmo se chama de “a verdade” (João 14.6). Ele fala da incapacidade do mundo de receber “o Espírito da Verdade” (João 14.17). Ele fala da verdade como um meio pelo qual Deus santifica e purifica a igreja (João 17.17): “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”

Quando Jesus estava diante de Pilatos, ele disse “Todos os que são da verdade me ouvem”, a que Pilatos responde “Que é a verdade?”. De fato, essa é a pergunta que iremos discutir preliminarmente. Assim, eu quero discutir a santidade e a importância da verdade. Por que é que nosso Senhor falou tanto sobre verdade, e o que é a verdade que está de acordo com a vontade e o caráter de Deus?

Deus é Verdade

O ponto de partida para todos esses mandamentos é o caráter de Deus. O próprio Deus é verdade, e por causa disso, temos um padrão de verdade e de falsidade.

“Ó Soberano Senhor, tu és Deus! Tuas palavras são verdadeiras, e tu fizeste essa boa promessa a teu servo.” (2 Samuel 7.28)

“Este é o Deus cujo caminho é perfeito; a palavra do Senhor é comprovadamente genuína.” (2 Samuel 22.31)

“Toda palavra de Deus é pura” (Provérbios 30.5)

“Eu, o Senhor, falo a verdade; eu anuncio o que é certo.” (Isaías 45.19)

Observe, também, a estreita ligação entre a verdade de Deus e a sua confiabilidade. Porque Deus não pode negar a si mesmo, então Ele deve manter todas as Suas promessas. Isso deve ser um grande conforto prático aos cristãos, quando se encontram em situação de dúvida ou desânimo.
Chegando ao ponto mais profundo que significa Deus ser “a verdade”, Herman Bavinck relaciona as diferentes linhas filosóficas nas quais Deus é a “verdade”:

No sentido metafísico. Deus é chamado de “Deus verdadeiro” em distinção aos ídolos. Nesse sentido, Deus é “verdadeiro, único, simples, imutável, e um ser eterno”. Deus é o ser supremo, a suprema verdade, e o bem. Ele é um ser puro. Ele não possui, mas É a verdade.

No sentido ético. No caso de Deus, há uma completa correspondência entre o ser de Deus e a sua revelação. É impossível para Deus mentir ou negar a si mesmo.

No sentido lógico. Deus é a verdade no sentido em que ele conhece as coisas como elas realmente são. Seu conhecimento é certo, imutável e compreensível. Não é adquirido através de investigação e reflexão, mas é inerente ao seu ser divino e precede a existência das coisas. O conhecimento de Deus é só uma parte da sua natureza e, portanto, substancialmente verdade. O ser de Deus compõe a realidade e faz a lógica e o conhecimento possíveis.


Acreditando na verdade

“Por essa razão Deus lhes envia um poder sedutor, a fim de que creiam na mentira, e sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça.” (2 Tessalonicenses 2.11–12). Note que a conclusão desse verso é que aqueles que tem prazer na justiça vão acreditar na verdade.

“Todos os que são da verdade me ouvem” (João 18.37)

“Não lhes escrevo porque não conhecem a verdade, mas porque vocês a conhecem e porque nenhuma mentira procede da verdade” (1 João 2.21)
“Assim saberemos que somos da verdade; e tranquilizaremos o nosso coração diante dele” (1 João 3.19)

“Portanto, diga a eles: Esta é uma nação que não obedeceu ao Senhor, ao seu Deus, nem aceitou a correção. A verdade foi destruída e desapareceu dos seus lábios.” (Jeremias 7.28)

E assim vemos que é virtuoso acreditar na verdade. Isso significa que nós apenas não devemos aceitar as coisas que são condizentes com a realidade, mas que devemos buscar a verdade sobre tudo na vida – mas especialmente sobre Deus e nós mesmo – através de ensinamentos sólidos, através da razão e procurando melhor compreender as Escrituras. Lembre-se também que Romanos 1.18 fala daqueles que conhecem a verdade e ainda “suprimem a verdade pela injustiça”. A recusa em acreditar na verdade começa no coração.

Amando a verdade

“Por isso amem a verdade e a paz” (Zacarias 8.19)
“porquanto [os ímpios] rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar” (2 Tessalonicenses 2.10). Note nesse versículo a obstinação envolvida em não amar a verdade.

“Procurou também encontrar as palavras certas, e o que ele escreveu era reto e verdadeiro.” (Eclesiastes 12.10)

“Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria” (Salmo 51.6)

Tal como acontece nos outros mandamentos, aqui este imperativo de que devemos amar a verdade está enraizado primeiramente no próprio amor de Deus para com a verdade. Deus se deleita na verdade. Nós estamos indo na contramão de Deus se não fazemos o mesmo. Muitos cristãos hoje em dia querem restringir a busca pela verdade aos nerds da teologia e os apologetas, mas se queremos ser discípulos de Jesus Cristo, devemos amar a verdade, ter prazer nas coisas verdadeiras.

Falando a verdade

“Eis o que devem fazer: Falem somente a verdade uns com os outros, e julguem retamente em seus tribunais” (Zacarias 8.16)

“Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo” (Efésios 4.25)

Eu gosto da forma como Thomas Boston coloca isso: “nossa boca deve concordar com a nossa mente”. Vamos relembrar, mais uma vez, que Deus só fala o que é verdade, e isso deve ser ecoado em nosso próprio comportamento. Isso é o que as pessoas primariamente pensam que o nono mandamento está tratando, mas como podemos ver, o falar da verdade é apenas parte do que esse mandamento aborda. Primeiro, a verdade é para ser o primeiro contentamento e satisfação no interior do homem, e então ela procede de nós. Se não conhecemos a verdade, não podemos nos deleitar nela, e se não nos deleitamos nela ou não a amamos, é claro que não iremos falar sobre ela. De fato, nós falaremos contra a verdade, nesses casos, e poderemos até negar a possibilidade de conhecer quaisquer verdades. Este é o ambiente em que vivemos, infelizmente. Nossa época é aquela em que os falam que o que acreditam é verdade são chamados de arrogantes que não cansam de se exaltar. Falar a verdade, muitas vezes, custa bem caro.
Como devemos falar a verdade

“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4.15)

As pessoas, hoje em dia, acham que falar a verdade “em amor” significa um tom de voz doce, com a cabeça ligeiramente inclinada enquanto balança de leve mostrando preocupação, e uma falta de vontade de afirmar que o que se acredita é “verdadeiro” (pois isso pode ofender o coleguinha). Se as coisas fossem assim, então os Apóstolos e até mesmo o próprio Cristo seriam os convidados mais indesejáveis que se possa imaginar para um jantar. Se há uma convicção da qual o Velho e o Novo Testamentos frequentemente testificam é, provavelmente, a virtude de acreditar, amar e falar a verdade – mesmo que cause prejuízo social.

Então, se o conceito popular de “falar a verdade em amor” está errado, o que significa falar a verdade em amor? Os comentários de Calvino sobre esse verso são úteis:

"Se cada indivíduo, em vez de atender exclusivamente aos seus próprios interesses, desejar a mútua edificação, haverá um agradável e generalizado progresso. Essa, o Apóstolo nos assegura, deve ser a natureza dessa harmonia, que os homens não devem sofrer para esquecer o clamor da verdade, ou, desconsiderando-o, enquadrar um consentimento de acordo com suas próprias opiniões."

Calvino está dizendo que o nosso falar a verdade não deve ser para a promoção dos nossos próprios fins, mas a edificação daqueles com quem estamos falando. Se fazer com que pareçamos melhores, ou até mesmo ganhar um argumento apenas para provar que somos grandes debatedores, é o nosso objetivo, então certamente não estamos falando a verdade de uma maneira bíblica. Nós devemos ser cautelosos, porque a pessoa com quem você está falando pode não gostar do que você tem a dizer. Isso não significa dizer, portanto, você não está falando a verdade em amor. Pode significar que você esta fazendo precisamente isso e eles não querem ouvir a verdade.

“Nós não devemos perder de vista o central e óbvio ensinamento do nono mandamento – ele ordena veracidade em todas as relações. Assim, a questão mais importante a ser feita a respeito da comunicação via Internet com relação ao nono mandamento é essa: “isso é verdade?”. Além disso, nós somos chamados, como Cristãos, para “falar a verdade em amor” (Efésios 4.15). Aqui também temos que reconhecer que “amor” não deve ser equiparado a “gentileza”, que o próprio relacionamento da verdade com o amor é, muitas vezes, complexo, e que o discernimento do próprio equilíbrio exige sabedoria e dependência do Espírito de Deus” – William Evans.

Tudo isso não significa que não deve haver cautela e atenção em nosso falar a verdade, e cada um de nós deve procurar em nossos corações e pedir ao Senhor que nos ajude a saber se cruzamos a linha e se o nosso discurso tem sido “em amor” e para o bem dos outros ou não. A coisa mais importante é que a Escritura deve ser nosso guia nesse assunto, uma vez que todos que conhecemos têm uma ideia diferente sobre o que e como devemos falar.

por Adam Parker

Traduzido por Marianna Brandão | iPródigo.com | Original aqui
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